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Atualidades
21-03-2007
Os Sistemas Sócio-Econômicos

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"Façam ou se recusem a fazer arte, ciência, oficios, mas não fiquem apenas nisso, espiões da vida, espiando a multidão passar. Marchem com as multidões."

Mário de Andrade

Espaço de luta de classes

Numa sociedade estruturada em classes, a exemplo da sociedade capitalista, o espaço tem por mteúdo as relações contraditórias dessas classes. conteúdo do espaço é o mesmo da sociedade: as tas de classes.

O espaço organiza-se segundo a estrutura 1 classes do lugar e a correlação de forças que ltre elas se estabeleçam. Espaço da existência dos mensmos, o espaço geográfico traz estampado nas as frações o seu caráter de classe. A própria paigem encarrega-se de revelar o caráter de classe uma favela, de um bairro operário ou de um bairro de classe média. Assim, a estrutura de classes da idade traduz-se como um espaço estruturado classes. Cada classe social define seu espaço próprio de existência. Mesmo onde os estratos recruzam-se, as diferenças de classes são esperimente visíveis.

As classes entrechocam-se, e a organização espaço será o que estiver sendo a correlação de as produzida pela confrontação. Como as lutas classes exprimem-se como correlação de forças, pode evoluir na direção da transformação (de ter revolucionário ou reformista) das estrutuTigentes ou no sentido de sua maior afirmação, ontradições trazem, para o nível do espaço, o role do poder de Estado; ele mesmo fruto do ter estrutural de classes da sociedade.

Portanto, toda sociedade será estruturada em :es sociais. A classe dominada, que produz, não é rietária dos meios de produção. A classe dominio, possuidora dos bens econômicos, detém o poder político. Esse poder é mantido através do instrumento de dominação, que é o Estado.

Há uma inter-relação entre a infra-estrutura da produção, espaço da circulação) e a estrutura (espaço das idéias).

Sistemas Sócio-Econômicos

o sistema econômico e social é o modo de zação e de funcionamento da economia e da idade. Ele tem grande importância na constidas paisagens geográficas. Se déssemos uma elas várias sociedades que se constituíram 10 dos séculos, encontraríamos as mais combinações entre produção, circulação e idéias. Foram os sistemas socioeconômicos que se formaram através dos tempos de acordo com a dinâmica histórica das classes sociais. Portanto, dessas combinações surgiram os sistemas primitivo, escravista, feudal, capitalista e socialista.

Primitivismo

O aparecimento do homem sobre a Terra é indicado pelos instrumentos que ele faz. Para obter alimento e abrigo, os homens fabricaram instrumentos (ferramentas) com os quais supriam as suas deficiências corporais. A princípio, utilizaram-se lascas de madeiras, pedra ou osso, obtidos à mão, para recolher o alimento. Nesse período da História, denominado Paleolítico Inferior, os homens aprenderam a controlar o fogo, que proporcionou aos homens a liberdade da extrema dependência do meio natural. Inicialmente, o fogo era encontrado pela queda de raios. Um pouco mais tarde, os homens aprenderam a fazer fogo mediante o atrito de dois pedaços de madeira ou de um pedaço de pedra contra um pedaço de ferro (hematita), ou ainda, através do calor provocado pela compressão do ar num canudo de bambu. Ao fazer o fogo, o homem tornou-se um criador e consolidou o seu domínio sobre a natureza. Aquecia-se do frio, iluminava a noite, defendia-se dos animais, cozinhava os alimentos e, bem mais tarde, passou a cozer a argila e a fundir os metais.

A produção de ferramentas teve um notável desenvolvimento no Paleolítico Inferior. Nessa época, os homens viviam em bandos, como os animais, mas aprenderam a cooperar uns com os outros para obter o alimento necessário. Desconhecese, no entanto, a sua forma de organização social. Eram simples coletores de alimentos, ainda não haviam aprendido a produzi-los: a caça dos animais selvagens, a pesca e a extração de moluscos, a coleta de frutos, raízes e ovos eram os seus meios de subsistência. Dessa forma, possuíam uma economia coletora, de subsistência. Era uma economia que pressupunha uma determinada forma coletiva de apropriação dos bens necessários à subsistência, e já havia um esboço de divisão natural do trabalho, tarefas que cabiam ao homem e à mulher, à criança, ao adulto e ao velho, além disso, havia uma tradição coletiva. O conhecimento e as experiências eram transmitidos coletivamente e incorporados à tradição comunitária.

As cavernas naturais e as habitações rudes feitas de galhos de árvores constituíam as moradas dos homens do Paleolítico. Havia um artesanato doméstico rudimentar: as armas e as ferramentas e os vestuários feitos de peles de animais. Cadahomempossuía apenas os seus utensílios e ferramentas de uso pessoal: as florestas, os rios, os lagos eram possuídos e usufruídos coletivamente. A esse regime de propriedade coletiva dos meios de produção dá-se o nome de regime de comunidade primitiva.

Dentro das condições econômicas descritas, evidentemente os bandos primitivos eram nômades: os homens viviam mudando de região constantemente, à procura de novas áreas de caça, de rios com mais peixes, ou impelidos pelas variações climáticas.

Dentre as suas práticas rituais, sabemos que tinham o costume de enterrar os mortos nas cavernas onde viviam ou em sepulturas próximas. Juntamente com os mortos eram enterrados alimentos (carne) e as suas ferramentas, constituindo o sepultamento uma verdadeira cerimônia.

O homem moderno (Homo sapiens) apareceu por volta de 25.000 a. C, que corresponde ao irúcio do Paleolítico Superior. Os homens dessa época fizeram ferramentas de marfim, de osso, de pedra (pederneira) e inventaram o arco e a flecha (o primeiro instrumento composto) e o lançador de dardos, para a caça, o que demonstra uma maior habilidade técnica e um elevado grau de conhecimento acumulado. Além disso, passaram a pescar com anzol e linha.

Durante o período Paleolítico, ou Idade da Pedra Lascada, os homens praticavam uma economia coletora de alimentos. À medida que começaram a cultivar plantas e a domesticar animais, tornaram-se produtores de alimentos, ou seja, passaram a ter o controle sobre o abastecimento da sua alimentação. Esse fato representou uma profunda transformação econômica, com importantíssimas conseqüências para a sobrevivência da espécie, e é chamado de Revolução Neolítica ou Revolução Agrícola. Ela não aconteceu de um dia para o outro. Foi o lento processo de desenvolvimento das forças produtivas, verificado em certas comunidades, sob determinadas condições históricas, que fez com que se desse esse salto na economia "pri_ mitiva". Com a agricultura e a pecuária, aumentou-se consideravelmente o domínio do homem sobre a natureza, ainda que, durante muito tempo, a caça tenha completado o abastecimento fornecido pela agricultura.

O início da agricultura implicou na reorganização econômica da sociedade. Conquanto o nível da economia permanecesse de subsistência, já era possível a produção de excedentes, embora raros e ocasionais, que eram trocados, consumidos nas festas religiosas ou armazenados.

O aumento da população, provocado pela nova economia produtora, foi bastante significativo. No entanto, o cultivo da terra não acarretou, de imediato, uma sedentarização da população. O mé• todo primitivo de cultivo, cultura da enxada, esgotaria rapidamente o solo, obrigando a constantes mudanças. Os homens do Neolítico, porém, já se encontravam organizados em tribos, e não mais em bandos, e viviam em aldeias, em cabanas de madeira e tijolo, e não mais em cavernas; portanto, eram sedentários. O rendimento de uma economia produtora é maior do que o de uma economia coletora, sujeita aos azares da caça. A produção de excedentes, no entanto, só foi possível a longo prazo, quando a agricultura se tomou independente e dominante.

A existência de tribos pastoras e agricultoras deu origem às trocas e aos contatos mais freqüentes entre esses produtores, devido à possibilidade de acumulação de excedentes.

Devido à divisão do trabalho entre os sexos na comunidade primitiva, os homens caçavam, pescavam, cuidavam dos rebanhos, preparavam os campos de cultivo, faziam suas ferramentas, enquanto as mulheres cultivavam as plantas, além de dedicarem-se à cerâmica, à fiação e à tecelagem. Não havia, na comunidade primitiva, uma especialização propriamente dita do trabalho, e sim uma divisão natural do trabalho.

Escravismo

Na época primitiva, a guerra, embora ocasional e em pequena escala, deve ter existido. A necessidade de obtenção de produtos agrícolas pode ter induzido tribos pastoras a se imporem pela força sobre comunidades de agricultores, passando a cobrar a "proteção" sob a forma de tributos em alimentos. A acumulação de riquezas - rebanhos, terras etc. - pré-condição da Revolução Urbana, talvez se deva, pelo menos em parte, ao saque às populações vencidas, isto é, à guerra.

Uma das instituições econômicas do Estado Antigo na Grécia e na Itália (na verdade a base do sistema de produção) era a existência de um trabalhador-mercadoria: o escravo. Antes, porém, que o trabalhador fosse considerado propriedade privada, mercadoria, isto é, objeto de troca, a comunidade primitiva passou por longo processo de deterioração.

Com a evolução das trocas entre as comunidades, alguns membros delas passaram a acumular mais riqueza do que outros, apropriando-se do excedente comunal ou da melhor parte da pilhagem obtida através da guerra. Com a evolução das relações de produção, a propriedade privada dos meios de produção ampliou-se à terra e, finalmente, ao trabalhador (escravo).

A transformação da economia comunal em economia escravista deveu-se ao desenvolvimento das forças produtivas no seio da comunidade primitiva. Quando os homens começaram a utilizar instrumentos de metal. após a domesticação dos animais e o início da agricultura, tomou-se maior a quota de trabalho diário que era incubida a cada membro da gens. E como o trabalho humano já fornecia um excedente, tomou-se possível o emprego da força de trabalho do prisioneiro de guerra: ele podia ser obrigado a trabalhar para a comunidade ou para o proprietário particular. O trabalho dessas populações escravizadas passou a sustentar a comunidade, juntamente com a atividade agricola ou pastoril praticada pelos conquistadores.

A escravidão propiciou o aumento da produção de excedentes e, conseqüentemente, das trocas.

Ao mesmo tempo em que se transformava a base econômica da sociedade, apareciam as classes sociais dentro do processo de deterioração da comunidade primitiva. Nas sociedades escravistas, a divisão em classes sociais abrangia, de um lado, os homens livres - grandes proprietários e pequenos produtores - e, de outro, os escravos. A necessidade de manter os escravos em submissão e de ampliar o território e de protegê-Ia contra os inimigos do exterior fez aparecer na Grécia e Roma antigas o Estado de Classes. Esse Estado sofreu, ao longo do processo rustórico, evolução em sua forma de governo, em seu regime político, sem deixar, porém, de ser um Estado escravista.

O Estado não existiu sempre: o organismo do Estado não apareceu se não no momento em que surgiu, na sociedade, a divisão em classes antagônicas.

O feudalismo

A partir do século IV, tornou-se evidente a ruralização da Sociedade Ocidental, ao mesmo tempo em que declinavam as atividades mercantis e artesanais urbanas. A vida urbana reduziu-se não só pela falta de segurança das cidades que atraíam os invasores germânicos, mas também pela destruição de inúmeras delas, pelo desinteresse em construir novos centros urbanos e pelo declínio demográfico devido à elevada mortalidade em conseqüência de epidemias de peste, crises de fome e de mortes pela guerra.

Até o século VIU, o Mediterrâneo continuou como principal rota de ligação Ocidente-Oriente, mas as transações mercantis, em franca regressão, restringiram-se à importação de artigos orientais de luxo, indispensáveis nas cortes e nas rodas senhorais leigas ou eclesiásticas.

Essa atividade mercantil, realizada em navios bizantinos por elementos judeus e gregos, era deficitária para o Ocidente, cujas moedas eram drenadas para o Oriente. A diminuição do capital circulante - agravada pelo ouro e pela prata entesourados ou transformados em jóias - valorizava ainda mais a terra. Como a agricultura se tomou a fonte de riqueza preponderante da sociedade, começou a generalizar-se a prática de ceder uma terra destinada agarantir o sustento de um indivíduo que prestava um determinado serviço.

Afinavam-se, assim, os laços de dependência entre os homens: o concedente (que conservava o direito de propriedade sobre a terra cedida a titulo precário) era o suserano, e o beneficiado (que ficava obrigado à compromissos assumidos mediante juramentos de fidelidade) era o vassalo. Paralelamente, impunham-se condições servis em detrimento da escravidão e do colonato (forma de trabalho intermediário entre o escravismo e a servidão).

Desse modo, no século X, completou-se a formação da sociedade feudal. Na Europa Ocidental já não havia homens ou terras livres: todos eram vassalos ou servos de senhores mais poderosos que, por sua vez, também eram vassalos de outros suseranos, em rígidos laços de dependência.



À enfeudação da estrutura socioeconômica correspondeu ao enfraquecimento do reino, caracterizado, principalmente, pela diluição da autoridade central e pelo fracionarnento do poder político.



No século X, o território europeu estava totalmente fragmentado em muitas unidades rurais, dotadas de poder político próprio e de uma economia relativamente capaz de auto-sustentação. Estas unidades, chamadas de feudos, espalharam-se pelo território europeu.

Em cada feudo havia o castelo do senhor, que consistia em uma construção fortificada e, em geral, três campos de cultivo. Um deles sempre em pouso (descanso) e os outros dois alternando culturas. E ainda pastos, florestas, terrenos ermos, etc. O senhor reservava para si cerca de um terço das terras aráveis e permitia que os servos cultivassem a outra parte para seu próprio sustento. Estes eram, porém, obrigados a trabalhar alguns dias por semana nas terras do senhor.

O espaço feudal caracterizava-se por uma sociedade fragmentada em feudos; pela existência de poucas estradas, muito ruins, e de cidades quase mortas; e pelas fonnas particulares de troca de que cada feudo dispunha, com sistemas próprios de moeda, pesos e medidas.

Nesse mundo fragmentado e voltado para si mesmo, a única instituição comum a toda a Europa Ocidental era a Igreja Católica. Ela estava presente em toda parte e o poder do papa era incontestável, até reis e imperadores lhe deviam obediência. A Igreja ensinava, então, que a salvação eterna seria alcançada com a resignação e obediência a Deus (no caso, representado pela própria Igreja) e aos superiores (a nobreza, constituída pelos senhores feudais). E que aquele que quisesse ir para o céu após a morte devia ser pobre e obediente, não cobrar juros e, se possível, evitar negócios lucrativos.

A Igreja não tinha domínio somente sobre as regras de comportamento social, mas também sobre o conhecimento científico. Determinava o que era ou não era verdade científica, buscando impedir a propagação de qualquer idéia que contrariasse os escritos sagrados. As idéias da sociedade feudal se confundiam com as da própria Igreja, que chegou a possuir cerca de metade de todas as unidades feudais da Europa.

o senhor feudal era a autoridade máxima dentro de cada feudo. A ele cabia o poder de fazer e aplicar as leis em cada uma dessas unidades.

Capitalismo

o feudalismo não acabou de uma hora para outra. Foi um processo que durou séculos, já que foi se tomando inadequado às novas exigências feitas pelas forças sociais. Com poucas cidades, poucas estradas, impossibilidade de mudança de feudo, inexistência de moedas amplamente aceitas e desejo de enriquecimento, além de múltiplas unidades políticas, via-se uma sociedade travada, que sofria mudanças muito lentas e geralmente traumáticas.

O tempo passou e o número de servos foi aumentando. A manutenção das mesmas condições de produção não permitia uma constante elevação na oferta de alimentos, sendo a fuga dos feudos uma conseqüência dessa situação. Tais fugas resultaram no surgimento de um elevado contingente de pessoas que passaram a viver à margem do sistema feudal e, portanto, necessitavam desenvolver atividades novas que lhes permitissem sobreviver. Desenvolveram, então, a produção artesanal, ampliaram a produção agricola, ocupando áreas não controladas pelos feudos ou por eles desprezadas, e dedicaram-se também à comercialização dos excedentes dessas produções (agrícola e artesanal), assim como ao comércio de mercadorias trazidas do Oriente por meio das Cruzadas (século XI e XII).

Parte dessas pessoas constituíram o embrião de uma nova classe social, a burguesia, que mais tarde impulsionou mudanças que transformaram radicalmente a geografia da Europa.

Os feudos deram lugar a extensos territórios unificados, ligados por estradas e por novos centros comerciais, assim como por moedas e sistemas de peso e medida padronizados.

Entre reis e burgueses estabeleceu-se uma aliança que minou o poder dos senhores feudais e criou as condições para a formação dos Estados nacionais - a que hoje chamamos países.

Essa união foi responsável pelas grandes navegações, pelos descobrimentos e pelo processo colonial. Os burgueses, no entanto, apesar do poder econômico de que logo passaram a dispor, levaram muitos séculos para tomarem-se donos do poder p0lítico. O período compreendido entre 1200 e 1700 foi de fortalecimento e acúmulo de riquezas para eles.

Descobrindo novos territórios para dominar e transformando complemente as formas de produção, de circulação e de pensar na Europa, os burgueses se transformaram na nova classe social dominante. Ao tomarem o lugar dos senhores de escravos e dos nobres do feudalismo, levaram à constituição de urna nova geografia do mundo, que, aos poucos, foi se aproximando das formas de organização territorial que hoje conhecemos.

Nas cidades vivia a maioria dos comerc:iantes e artesãos que vendiam ou faziam as mercadorias tanto apreciadas pelos nobres. A cidade e o campo foram especializando suas atividades econômicas.

As cidades medievais, cercadas de muralhas de proteção, tinham o nome de burgos. Nelas, moravam os trabalhadores e a burguesia. Os comerciantes que surgiam nos burgos tinham uma vida autônoma em relação ao feudalismo. Não obedeciam a nenhum senhor feudal. Eles compravam barato dos artesãos e vendiam carissimo. Alguns burgueses eram donos de oficinas de artesanato. O desenvolvimento do comércio resultou na maior importância do uso do dinheiro.

O capitalismo surgiu na Europa no momento em que o desenvolvimento das forças produtivas fez surgir os trabalhadores livres e assalariados. Eles se encontravam nas oficinas de artesanato, nas manufaturas e nas grandes e fundamentais máqui• nas de transporte: os navios.

Na Inglaterra, a partir da metade do século XVIII, começou uma das mais espetaculares transformações da história da humanidade: a Revolução Industrial.

A indústria capitalista surgiu e se tomou a parte mais importante da economia mundial. Primeiro na Inglaterra, depois na Europa Ocidental e nos Estados Unidos, as fábricas foram aparecendo, uma após outra, com velocidade espantosa. A produção de mercadorias e os lucros da burguesia cresceram de modo fabuloso. Graças à Revolução, o capitalismo pôde triunfar no mnndo inteiro.

O capitalismo se caracteriza, basicamente, por apresentar uma econorrúa de mercado e uma sociedade de classes. O sistema é chamado de capitalismo porque qualquer meio de produção é um capital. O dinheiro também é ca.pital, pois com ele pode-se comprar, além dos bens de consumo, os meios para produzir riqueza.

A sociedade capitalista é dividida, basicamente, em duas classes sociais: a burguesia, composta pelos capitalistas, donos dos meios de produção (fábricas, bancos, fazendas, etc.) e o proletariado, constituído por aqueles que não possuindo meios de produção, vendem o seu trabalho para o que tem em troca de um salário ou remuneração. Porém, existe um grande número de pessoas que não podem ser enquadradas em nenhwna delas. Os profissionais autônomos (advogados com escritório próprio, médicos que têm consultório particular, etc.) não podem ser classificados nem como capitalistas nem como proletários. Há, ainda, o caso de pessoas em situações econômicas não-capitalistas, como, por exemplo, certos trabalhadores rurais, que não recebem salários do proprietário das terras, mas sim parte do que produzem.

No capitalismo, a economia é comandada pelo mercado e as atividades econômicas visam. ao lucro. Para tanto, constituem-se empresas, cujo swgimento e evolução dependem de certas regras, também charnadas de leis do mercado. A principal delas é a lei da oferta e da procura (demanda), que detennina o preço das mercadorias. Outra importante regra é a da concorrência. Baseada neia, qualquer pessoa ou empresa tem liberdade de oferecer qualquer bem ou serviço, mas seu sucesso vai depender da competição com os demais concorrentes. Para uma atividade ser bem-sucedida, vencendo a concorrência, é preciso oferecer a mercadoria pelo menor preço e com a melhor qualidade possível, o que só se consegue com g:caIldes investimentos de capital. Por isso. as grandes empresas, por terem mais capital, acabam "engolindo" (comprando ou incorporando) as empresas menores, tomando-se ainda maiores. Disso resulta a. formação dos monopólios e dos oligopólios, que controlam um ou mais ramos de atividades. Quando isso acontece, a competição é, muitas vezes, substituída por a.cordos entre as grandes empresas, através dos quais cada uma fica com uma parte, ou fatia, do mercado. É a fase do capitalismo monopolista, quando os conglomerados financeiros têm um grande controle sobre o mercado.

Para impedir que a atuação monopolística das grandes empre:,;as prejudique a população consumidora, e na tentativa de evitar crises do mercado (como a de 1929, com a quebra da Bolsa de Valores de Nova York, conhecida como "crack"), os governos têm intetvido na economia, controlando os preços, fixando condições para os empréstimos bancários, limitando compras em outros países etc.

No capitalismo, entretanto, o progresso de uma atividade 011 de um lugar ocorre geralmente em detrimento do outro. Isso acontece não só devido à concorrência, mas também em vinude de uma divisão espaciai do trabalho. Segundo essa divisão, cada lugar ou área tem a tendênda a se dedicar a deteITIÚnadas atividades econômicas. Essa tendência é imposta pelo sistema, tendo em vista a especialização; mas sofre, evidentemente, maior ou menor influência dos fatores naturais. Ocorre que uma das atividades econômicas é mais lucrativa que outras. Produzir maquinas agricolas, por exemplo, dá mais rendimentos do que plantar wroz. Por isso, os lugares ou áreas sempre têm um desenvolvimento desigual, conforme as atividades econômicas a que se dediquem. Esse fenômeno acontece em todos os níveis: entre os municípios e entre os estados, entre as regiões de um país e entre os países integrados ao capitalismo mundi.al (divisão internacional do trabalho).

Socialismo

As condições de vida dos operários europeus no começo da Revolução Industrial eram miseráveis. Logo surgiram pensadores concluindo que o problema não era a Revolução Industrial, mas sim a sociedade que se aürmava com o desenvolvimento das indústrias. Ou seja, o problema era o capitalismo.

Esses pensadores começaram a examinar a sociE!dade capitalista e a concluir que ela não só era sempre injusta, como também profundamente irracional. Para eles, o grande problema estava na propriedade privada. Os donos de tudo, das terras, minas, :fábricas, bancos e empresas só eram ricos porque exploravam os trabalhadores. A solução então seria acabar com a propriedade privada. Se todos os bens pertencessem coletivamente a toda a sociedade, não haveria patrões nem empregados, ricos nem pobres. Todos trabalhaliam e repartiriam entre si o produto de seus esforços. Tal sociedade seria chamada de socialista.

Os primeiros pensadores socialistas da Revolução Industrial foram chamados, mais tarde, de socialistas utópicos. Seus projetos não passaram de belos sonhos irrealizáveis, ou seja, utopias. Os sociali&tas utópicos podianl ter idéias bem interessantes, mas não eram capazes de realizá-Ias concretamente. Seus erros serviam para mostrar que o socialismo jamais surgiria por causa de alguns livros bemescritos que convenceriam o resto da humanidade a viver diferentl;l, nem por causa da boa vontade de alguns patrões, nem por causa do exemplo dado por meia dúzia de bem-intencionados organizando uma comunidade alternativa, nem por causa da ação enenJétiea de algum líder político. Caberia a dois pensadores alemães, Marx e Engels, mostrar que a principal força de transformação social seriam os trabalhadores.

Karl Marx (1818 - 1883) nasceu na Alemanha.

Embora fosse um intelectual, doutor em Filosofia, nunca esteve ligado à universidade e aos círculos oficiais. Sua existência foi dedieada à luta da classe trabalhadora.

A obra de Marx foi a criação do socialismo científico. também chamado, obviamente, de marJnsmo. Porém, Marx contou com a colaboração de um grande amigo, também autor de diversos livros: Friedrich Engels (1810 - 1895).

A idéia básica de Marx e Engels era de que o socialismo não viria da cabeça de um punhado de intelectuais brilhantes, tampouco da ação de um partido político cheio de disposição, nem da boa vontade de alguns abnegados. A única força capaz de df;lstn.rir a sociedade capitalista e construir uma socü~dade nova, socialista, seria o proletariado, a classe trabalhadora.

Marx e Engels sofreram influência de muitas fontE!S intelectuais. Retiraram do Iluminismo a confiança no valor da racionalidade e na concepção de que () homem é produto do meio social. Da Filosofia Clássica Alemã, basearam-se em Hegel (Dialética) e Feuerbach (Materialismo). Outra fonte de conhecimento foi a economia polltica clássica inglesa (Adam Smith e David Ricardo), que afirmava que o valor das mercadorias seria determinado pelo trabalho social necessário para produzi-Ias.

Eles acreditavam que deveriam criar um partido políti("o para educar os trabalhadores, fazendo-os conhecer Os princípios do socialismo científico. De posse dessas idéais, o prol(teria consciência de sua real situação e então lutaria por sua emancipação. Eles afirmavam que o modo como os homens se relacionam socialmente no processo produtivo determina o tipo de sociedade que existe.

Marx e Engels acreditavam que o socialismo seria possível e necessário. Tal como tinha acontecido na Revolução Francesa, quando a burguesia tomou o poder, destruiu o feudalismo/absolutismo e garantiu a vitória plena do capitalismo, os trabalhadores assalariados deveriam tomar o poder político, destruir o capitalismo e o Estado burguês, e construir a sociedade socialista. As empresas, terras, minas, passariam a ser propriedade do povo trabalhador. Cada empresa deveria ser administrada diretamente por seus trabalhadores e o Estado seria um coordenador. geral.

Marx achava que antes da sociedade chegar ao comunismo, ela deveria passar pela fase de transição, que seria o socialismo. No socialismo não existiria mais a propriedade privada burguesa, mas ainda haveria algumas diferenças sociais por causa da diferença de profissões e do ritmo de trabalho. Além disso, no socialismo haveria um Estado, e, portanto, a liberdade não seria completa. Marx dizia que no socialismo haveria a ditadura do proletariado, que não seria uma ditadura, mas um governo totalmente democrático dominado pelos trabalhadores. Inclusive porque não haveria mais patrões.

Finalmente, quando fosse socialista, a economia tivesse se desenvolvido a ponto de eliminar as desigualdades entre os povos e houvesse abwldância, o comunismo seria alcançado. O Estado teria se dissolvido. Não haveria mais nenhuma repressão: todos seriam absolutamente livres e iguais.

As decisões econômicas são estabelecidas através de um plano central, que determina antecipadamente o que será produzido na agricultura, na indústria, nos serviços, durante o período abrangido pelo plano (em muitos países eles são qüinqtienais, ou seja, de cinco em cinco anos). Na economia planificada, portanto, o elemento principal do funcionamento do sistema econômico (produção, consumo, investimento, etc.) é o plano, e não o mercado.

No sistema de economia planificada não existe mercado de capitais (compra e venda de ações), pois, sendo as empresas de propriedade pública, não tem sentido a emissão de ações de uma empresa. Também são existe mercado de trabalho (oferta e procura de empregos), já que o plano tem que levar em conta o crescimento do número de trabalhadores e aumentar o emprego nas mesmas proporções. Nessas condições, quase todos são empregados do govemo. Em troca, o governo paga mn salário a cada pessoa, de acordo com o trabalho que realiza.

O objetivo da produção não é o lucro individual ou da emplesa. como nas economias de mercado. Os lucros da produção Eão do governo, que os aplica em obras para desenvolver a economia, corrigir diferenças regionais e em serviços destinados à população, como assistência médica e educação, que Bão gratuitos.

Não existindo empresas privadas, o socialismo seria, então, uma sociedade sem classes sociais, já que as dasses são detenninadas pela forma de apropriação dos meios de produção.

O socialismo seria um período de longa evolução, de transição para um sistema totalmente igualitário, sem classes - o comunismo.

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Deputado Estadual Artur Bruno

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