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PRINCIPAL * CURSOS * China, Índia e Tigres Asiáticos
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Atualidades
21-03-2007
Índia : Uma potência emergente em ascensão

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O subcontinente indiano, que tem a forma de um triângulo, é atravessado pelo Trópico de Câncer praticamente no meio de seu território e ocupa uma enorme planície, a planície do Ganges, onde encontramos algumas das maiores densidades demográficas de todo o mundo.

Ao norte, na cordilheira do Himalaia, encontram-se picos com altitudes superiores a 6.000 metros; do centro do território em direção ao Oceano Índico, localiza-se o Planalto do Decã. Com 3.287.263 km2 e 1 bilhão de habitantes, a Índia só perde para a Rússia, Canadá, China, Estados Unidos, Brasil e Austrália em superfície territorial.

Em população, a Índia só perde para a China: é o segundo Estado mais populoso do mundo. Mas o desempenho de sua economia deixa muito a desejar no que se refere às condições de vida de sua população.

A precariedade das condições de vida da população indiana se agrava ainda mais quando levamos em conta as profundas diferenças étnico-religiosas, econômicas e políticas entre as várias regiões da Índia. Sua organização política é um complicador importante: a Índia é uma República Federal, formada por 15 Estados e 7 Territórios, em que o governo central (mais conhecido como Centro) se impõe aos Estados Federais, pois eles dependem financeiramente do Centro.

Os Estados Membros, por sua vez, disputam entre si benefícios do Centro; por exemplo, incentivos para a industrialização. Em alguns deles, porém, a disputa maior decorre dos recentes problemas ligados ao abastecimento de água para a irrigação, vital para a atividade agrícola em algumas regiões do país (mais de 70% da população indiana ainda vive no campo).

De qualquer maneira, não podemos compreender as enormes desigualdades dessa população se não estudarmos o sistema de castas. Longe de serem causadas apenas por fatores políticos-econômicos, como ocorre em quase todos os países do mundo, essas diferenças na Índia são geradas principalmente pelo nascimento e pelas tradições.

As castas indianas – A palavra casta vem do latim castus, que significa puro. No idioma sânscrito, um dos mais antigos do mundo, surgido na região onde hoje se localiza a Índia e que deu origem a inúmeras línguas modernas, a palavra utilizada para designar castas é varna, que significa cor. As castas, portanto, constituem grupos de pessoas ou, melhor dizendo, de famílias que se diferenciam rigidamente pelo nascimento, pela suposta pureza de origem e de cor da pele.

A origem familiar da pessoa e o local de origem da família são importantíssimos no sistema de castas.

As raízes desse sistema encontram-se na formação milenar desses povos. As inúmeras invasões e a dominação dessa região por povos diversos, em vários momentos de sua longa história, criaram um tipo de sociedade que assumiu a forma de castas. No sistema de castas as pessoas têm um status social bastante diferenciado, com direitos desiguais, ou seja, privilégios em alguns casos e deveres em outros. Apenas algumas pessoas são consideradas dignas de ocupar certos cargos ou exercer certas funções. Outros cidadãos, em geral pertencentes às castas mais baixas, que abrangem maior número de pessoas, estão “destinados” a ser trabalhadores manuais ou domésticos.

Assim, algumas funções só podem ser exercidas pelos membros de uma determinada casta: os sacerdotes de qualquer religião na Índia são normalmente brâmanes; os oficiais militares são em geral xátrias; os comerciantes são em sua maioria vaixás; o trabalho rural e manual é feito quase que somente pelos sudras etc. Apesar de ter sido abolido pela Constituição (1950) e ter sofrido alguns abalos com a ocidentalização e a industrialização do pais, com a ocidentalização e a industrialização do pais, o sistema de castas ainda se mantém vivo na cultura do povo indiano.

Essa forma de dominação social criou uma forte tradição, que se misturou com as religiões e ficou arraigada no modo de pensar das pessoas. A religião hinduísta, predominantemente no país, reforça e legitima esse sistema de dominação. Outras religiões, como o budismo e o islamismo, que foram contrárias a esse sistema, acabaram se adaptando a ele. Por isso mesmo, ele se mantém ao longo do tempo. Em sua maioria, o povo indiano aceita passivamente essas desigualdades. Portanto, qualquer alteração profunda na sociedade desse país só poderá ocorrer se forem levados em conta também os fatores étnicos-religiosos, e não apenas os fatores ligados a diferenças econômicas.

O controle da natalidade – Em 1951, a Índia tinha uma população de pouco mais de 360 milhões de habitantes. Em setembro de 1999, ela já contava com 1 bilhão, o que mostra que a população cresceu mais do que o dobro desde a sua independência. De fato, durante as quatro primeiras décadas de sua existência como Estado independente, a Índia apresentou uma taxa elevada de crescimento da população: 2,3% ao ano.

Assim, o governo indiano começou a realizar intensas campanhas pelo controle de natalidade, como se a grande causa dos problemas desse vasto país fosse o excessivo número de pessoas. Como resultado, já houve uma pequena redução nos índices de natalidade no país. As principais medidas tomadas pelo governo indiano foram: A intensa propaganda dos métodos anticoncepcionais; esterilização em massa de milhões de mulheres e homens pobres; proibição de as famílias de baixa renda terem mais de dois filhos.

Isso, porém, não diminuiu a fome e a subnutrição crônicas da população. Na verdade, paralelamente ao controle da natalidade, deveriam ter sido realizadas outras mudanças mais importantes, como fez a China, país com mais de 1,2 bilhões de habitantes, onde atualmente não há falta de alimentos. Mudanças radicais na economia, visando uma melhor distribuição social da renda, uma ampla reforma agrária, por exemplo, certamente poderiam elevar os padrões de vida da população em geral, diminuindo ou eliminando a insuficiência alimentar.

A Revolução Verde


A “revolução verde” indiana – O elevado crescimento demográfico da Índia levou seus dirigentes a procurarem alternativas para melhorar a produtividade no campo. Foi assim que, ao longo das décadas de 1960 e 1970, período considerado pela ONU como “voltado para o combate ao subdesenvolvimento”, a Índia tentou realizar uma experiência agrária, que ficou conhecida como “revolução verde”. Consistia em ampliar consideravelmente os níveis de produtividade, principalmente do arroz, produto alimentar básico em quase toda a Ásia. Com o auxílio de técnicos norte-americanos e europeus, a agricultura indiana começou a cultivar um arroz especial, o IR-8, desenvolvido em laboratórios a partir de uma espécie natural das Filipinas.

Teoricamente essa espécie de arroz iria crescer mais rápido e produzir mais no mesmo espaço de terras. A “revolução verde”, contudo, foi um fracasso. Como os pequenos produtores rurais não dispunham de tecnologia e capital para cultivar esse arroz, apenas os grandes produtores tiveram êxito com a experiência.

Portanto, em vez de a Índia fazer sua reforma agrária, distribuindo terras aos camponeses para ampliar a oferta de alimentos, o que houve foi uma concentração ainda maior de terras nas mãos de poucos. Os latifúndios, grandes propriedades de terras rurais, em geral improdutivas, se fortaleceram. Isso agravou a falta de gêneros alimentícios no pais, pois o grande proprietário usa suas terras para cultivar gêneros de exportação, por serem lucrativos.

Dinâmica geopolítica: conflitos internos e externos

Do ponto de vista da organização política, apesar da tradicional importância do hinduísmo na Índia, esse Estado se caracteriza por ser secular, isto é, desde a independência, conquistada em 1947, colocou em prática o princípio da separação entre Estado e religião. No sul da Ásia, a Índia é atualmente, o único Estado laico, isto é, que não oficializou uma religião. Em 1988, o Sri Lanka declarou que o islamismo é a religião do Estado; em 1989, a nova Constituição do Nepal proclamou que o hinduísmo é a religião do país; o Reino do Butão é uma monarquia religiosa de predominância budista; e a República das Maldivas é oficialmente muçulmana.

Desde a década de 1980, o Partido do Povo Indiano (BJP) recebe um porcentual significativo de votos nas eleições da República da Índia. Suas vitórias, porém, provocaram o agravamento das tradicionais disputas entre várias etnias desse Estado tão diferenciado internamente.

De fato, esse partido político contribuiu para o fortalecimento do fundamentalismo hindu, isto é, uma concepção política que pretende colocar em prática as bases que originaram o nacionalismo hindu (o responsável pelo aparecimento da Índia como um estado independente). Conseqüentemente, desde que o BJP assumiu o governo central, em março de 1998, seus adeptos enfrentam, de maneira cada vez mais violenta, os seguidores do fundamentalistas mulçumanos da Índia.

Hoje, estima-se que esse grupo de indianos mulçumanos represente cerca de 11% da população do país. Assim, a oposição entre os hindus fundamentalistas e o fundamentalistas mulçumanos se acirra na Índia contemporânea e provoca repercussões importantes dentro e fora de suas fronteiras.

Tais repercussões são graves, pois podem provocar outros movimentos separatistas, no interior da Índia ou nos Estados vizinhos, como a história recente dessa região tem mostrado.

Do ponto de vista de sua política externa, e particularmente com o Paquistão. Há uma tradicional rivalidade com a China, país com a qual a Índia tem fronteiras na sua parte norte, uma região montanhosa. China e Índia têm disputas por terras nessa região e também uma secular rivalidade cultural e político-diplomática, pois ambos os Estados aspiram ser a potência regional da Ásia.

E com o Paquistão existem disputas territoriais, também na região norte da Índia, e freqüentes conflitos religiosos entre hinduístas e a minoria islâmica da Índia. Em 1997, na comemoração de seus 50 anos de independência, as autoridades da República Islâmica do Paquistão dirigiram apelos de paz à República da Índia.

Em maio de 1998, porém, o Estado hindu, surpreendendo o mundo inteiro, realizou cinco testes nucleares. O Paquistão não demorou a reagir e no mesmo ano realizou seis testes nucleares. Assim, a Índia e Paquistão demonstraram possuir as condições necessárias para ingressar no seleto “clube nuclear”, isto é, países que têm oficialmente bombas atômicas. A presença de três países pobres, rivais e com armamentos nucleares nessa parte da Ásia, China, Índia e Paquistão, além da Rússia, mais ao norte, poderá fazer com que uma hipotética guerra nuclear tenha início nessa parte do planeta, no século XXI. Entretanto, as cinco potências nucleares do mundo (Estados Unidos, Rússia, China, França e Reino Unido) reagiram imediatamente: não aceitaram Índia e Paquistão como novos membros desse grupo seleto.

Temendo que essas explosões nucleares pudessem incentivar a proliferação nuclear em todo o mundo, os governos desses Estados também decidiram se esforçar para conseguir, o mais rapidamente possível, a adesão da Índia e do Paquistão ao Tratado de Proibição de Testes Nucleares (ambos se recusaram a assiná-lo em 1996). Por outro lado, tais explosões aumentaram a tensão reinante no sul da Ásia: em agosto de 1998, a Índia e Paquistão voltaram a se combater na Caxemira, região fronteiriça ao norte, na cordilheira do Himalaia, e objeto de acirrada disputa entre esses países, que já se enfrentaram aí em 1947 e 1965.

Um pouco de história

A origem da Nação hindu é a civilização que se desenvolve desde 2.500 A.C no vale do rio Indo, onde fica o Paquistão. A região é conquistada em 1.500 A.C pelos arianos, que implantaram uma sociedade baseada num sistema de castas. Após a invasão de Alexandre, o Grande, entre 327 A.C e 325 A.C, forma-se, em 274 A.C, o Reino de Asoka, que unifica a Índia sob o budismo. A cultura hindu recupera espaço e atinge o apogeu no século VIII, o oeste da Índia é invadido pelos árabes, que trazem o islamismo. A nova fé conquista camadas importantes da população, que vêem no Islã, cuja premissa é igualdade de todos diante de Deus, uma oportunidade de escapar da rigidez social do sistema de castas.

Domínio Ocidental – O auge da hegemonia muçulmana, com a dinastia Mogul (de 1526 a 1707), coincide com a presença ocidental na Índia, impulsionada pelo comércio de especiarias. Em 1510, os portugueses completam a conquista de Goa, na costa oeste do país. Ingleses, holandeses e franceses criam companhias de comércio com a Índia. Em 1690, os ingleses fundam Calcutá, mas só depois de um Guerra contra a França (1756/1763) o domínio do Reino Unido se consolida.

Independência
– A luta contra o colonialismo britânico termina com a independência, em 1947. Sob incentivo britânico, Sob incentivo britânico, líderes muçulmanos indianos decidem formar um Estado independente, o Paquistão. A partilha, baseada em critérios religiosos, provoca o deslocamento de mais de 10 milhões de pessoas. Choques entre hindus e mulçumanos deixam quase 1 milhão de mortos. Gandhi, a contragosto, aceita a divisão do país e é assassinado por um fundamentalista hindu, em 1948.

A economia indiana


Nos dias atuais, a quinta maior economia do mundo, a Índia, desenvolveu uma base industrial diversa e competitiva. Planos para diversos setores são traçados pelo Conselho de Desenvolvimento Nacional, constituído por ministros chefes de estado: é o corpo mais elevado na tomada de decisão. Inicialmente, a ênfase na auto-dependência conduziu ao estabelecimento de uma grande presença no setor público em áreas como aço, cimento, energia e engenharia pesada.Hoje, tudo mudou. As reformas iniciadas durante a década de 90 resultaram em uma grande reestruturação econômica, prometendo uma Índia forte e resurgente. Resultados demonstrados: o PIB cresceu 7,1% em 1996, enquanto a inflação diminuiu de 12% em 1991 para o atual 3,7%.

Nos últimos três anos, o setor industrial registrou um crescimento saudável de um média de 7%. A globalização e a liberalização, aspectos chaves da nova ordem, asseguram o fato de que a Índia não mais se encontra isolada dos mercados internacionais. Dentro da Índia, há uma forte presença do setor privado e o investimento estrangeiro entrou em muitos setores inclusive no anterior monopólio estatal de infraestrutura.Na tentativa de criar um ambiente positivo para o crescimento econômico, o governo introduziu medidas como a redução de taxas alfandegárias e a taxa de férias em alguns setores. Incentivos foram também dados às indústrias como as farmacêuticas, de moradia, de informação, tecnologia e têxteis.

Medidas de reestruturação no setor empresarial estão sendo planejadas e isso irá, inevitavelmente, conduzir a um acelerado crescimento industrial. Exportações que agora refletem uma gama impressionante de produtos, demonstraram um melhoramento, e não é de se surpreender, pois há planos para entrar em novos mercados. Até que seja atingido o objetivo um mercado agressivo e novas estratégias estarão sendo adotadas.O ambiente competitivo tem atuado como um desafio positivo na indústria doméstica, que não perdeu tempo em se estruturar para enfrentar os desafios do novo mercado.Hoje, a Índia fabrica equipamentos de telecomunicações altamente sofisticados, e softwares de computadores, tendo entrado em áreas de alta tecnologia como produção de energia nuclear e fabricação de equipamento especial. Bangalore, que é o núcleo de atividade dessa natureza, vem sendo conhecido como o Vale do Silício da Índia.

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