
I. GEÓRGIA
01. Aspectos Geográficos
A ex-república soviética da Geórgia é um país de 69.500 km² de área, situado ao oeste da Ásia, banhado pelo mar Negro. O relevo é marcado por áre¬as montanhosas: na fronteira norte fica a cordilheira do Cáucaso,que abriga o ponto mais alto do país, o Gora Shara, de mais de 5 mil metros de altitude; no sul fica o Cáucaso Menor, cujos picos chegam quase aos 3 mil metros. Entre os dois sistemas encontram¬-se a planície da Cólquida, o planalto de Kartli e o vale de Alazan.
Os dois principais rios do país fluem em direções opostas: um ¬deságua no mar Cáspio e o Rioni, no mar Negro. Com grande extensão de bosques nativos, a vegetação é dominada pelas florestas de coníferas,que cobrem mais de 40% do território. O clima é subtropical úmido no oeste e continental moderado no leste com variações condicionadas pela altitude.
A Geórgia abriga quase uma centena de diferentes grupos étnicos. O principal é o dos georgianos, que representa 70% da população de 4,4 milhões de habitantes. Entre os demais, os mais importantes são os armênios (8,1%), os russos (6,3%) e os azeris (5,7%). Há ainda os ossetianos e os abecazes - habitantes das regiões da Ossétia do Sul e da Abkházia, respectivamente - ¬que promovem movimentos separatistas desde os anos 1990. A principal religião é o cristianismo (64,2%), onde a Igreja Ortodoxa domina (61,3%), seguido pelo islamismo (19,6%). O idioma oficial é o georgiano, sua capital é a cidade de Tbilisi, sua moeda é o lari.
02. Aspectos Econômicos
Com um PIB de US$ 7,7 bilhões, é uma das mais prósperas repúblicas da antiga União Soviética, a Geórgia teve sua economia prejudicada pelo colapso do bloco socialista e pelos conflitos internos que o seguiram.
A agricultura produz cereais, chá, algodão, tabaco, hortaliças, uva e outras frutas. Criam-se principalmente bois e ovelhas. Há importantes reservas de petróleo, carvão, ferro, molibdênio, mármore, alabastro e mercúrio. A energia, produzida em termelétricas e hidrelétricas, chega a ser exportada. A indústria se destaca nos ramos petroquímico, siderúrgico, automobilístico e têxtil, entre outros.
03. Aspectos Históricos
Na Antiguidade, gregos, persas e roma¬nos sucedem-se no domínio da região Os romanos introduzem a religião cristã no século IV. Mais tarde, o território torna-se foco de disputas entre o Império Persa e o Bizantino. Cai em poder dos árabes em 654 e um emirado muçulmano é instituído em Tbilisi, a capital. Os georgianos recuperam a soberania e sua cultura chega ao apogeu entre os séculos VIII e XIII, sob a dinastia bagratuna, fundadora de um império que se estende do Azerbaidjão à Turquia. Na Idade Média, a cultura local atinge alto grau de desenvolvimento. Datam dessa época o Monastério Gelati, centro educacional e cultural da Geórgia medieval, e a Catedral Bagrati, em Kutaisi, ambos patrimônios da humanidade. A invasão mongol, em 1386, põe fim à idade de ouro georgiana. Em 1453, a tomada de Constantinopla pelos turcos isola a Geórgia do mundo cristão. Nos três séculos seguintes, o país é invadido por turcos e persas, até que, em 1783, se submete ao Império Russo, ao qual é anexado no século XIX.
Em 1918, revolucionários so¬cial-democratas georgianos, estimulados pela Revolução Russa, lideram a luta por um Estado independente. O país é brevemente ocupado pelos britânicos ao fim da I Guerra Mundial. O regime comunista russo reconhece a independência da Geórgia em 1920, mas o Exército Vermelho invade o país no ano seguinte e o transforma em república soviética. A repressão a nacionalistas geor¬gianos e comunistas dissidentes mata mais de 400 mil pessoas durante a ditadura de Josef Stálin - ele mesmo georgiano -, entre 1924 e 1953. O nacionalismo volta a aflorar com as reformas do presidente soviético Mikhail Gorbatchov, na década de 1980.
Os nacionalistas ob¬têm maioria esmagadora nas eleições legislativas de 1990. Em 9 de abril de 1991, o Parlamento proclama a inde¬pendência da Geórgia. O intelectual Zviad Gamsakhurdia, eleito presiden¬te em maio, é deposto em dezembro. Eduard Chevarnadze, ex-chanceler de Gorbatchov, assume a presidência em 1992. Eleito em 1995, é reeleito em 2000, em meio a denúncias de fraude. O país procura distanciar-se da influência da Federação Russa, mas a eclosão de revoltas separatistas na Ossétia do Sul (1990) e na Abkházia (1992) frustra esses planos.
04. Atualidade
Em 2002, forças dos Estados Unidos (EUA) instalam-se na Geórgia para trei¬nar os militares do país. Em 2003, pro¬testos acusam o governo de fraudar as eleições parlamentares, e Chevarnadze renuncia. O movimento conhecido como Revolução Rosa, é liderado por Mikheil Saakashvili, político pró-EUA. Em 2004, Saakashvili é eleito presidente. O novo governo procura recuperar domínio sobre a Ossétia do Sul e a Abkházia, o que eleva a tensão nas regi¬ões. A situação do país é acompanhada pelo governo dos EUA, interessado em garantir a construção do oleoduto Baku¬-Tbilisi-Ceyhan. A visita do presidente norte-americano, George W. Bush, à Geórgia, em 2005, solidifica a aliança entre os dois países, construída a partir da Revolução Rosa. Nesse ano, é inaugurado oleoduto Baku-Tbilisi-Ceyhan, que liga o Azerbaidjão ao mar Mediterrâneo, passando pela Geórgia.
Em 2005, Federação Russa inicia a retirada de suas tropas da Geórgia. Os russos mantêm duas bases militares no país vizinho desde a era soviética, o que visto pela Geórgia como entrave às pretensões de aproximação com Ocidente. Em janeiro de 2006, a explosão criminosa de dois gasodutos prejudica o fornecimento do gás russo para a Geórgia, afetando o sistema de aquecimento no país durante o rigoroso inverno. O ato é interpretado como retaliação de Moscou à política pró-o¬cidente da Geórgia. Entre março e maio, a Federação Russa suspende a exportação de vinhos, frutas e água mi¬neral do país, que vê motivações políti¬cas no embargo. Em julho, o Parlamento pede a retirada das tropas russas da Ossétia do Sul e da Abkházia e acusa a Federação Russa de querer anexar as províncias separatistas.
Em setembro de 2006, a relação entre os dois países agrava-se com a prisão de quatro militares russos na Geórgia, suspeitos de espionagem. O presidente russo, Vladimir Putin acusa o país vizinho de "terrorismo de Estado". Em outubro, os militares russos são liberados. O fato, contudo, não impede a Federação Russa de deportar cidadãos georgianos e impor sanções ao país, cortando as redes de comunicação, e transportes entre as duas nações As medidas afetam drasticamente a Geórgia e comprometem sua economia. Em agosto de 2007, a Geórgia acusa os russos de terem invadido seu território aéreo e lançado um míssil. Não há registro de feridos e a Federação Russa nega o ataque.
Cerca de sete mil pessoas vão às ruas e quatro políti¬cos da oposição anunciam greve de fome pedindo a renúncia do presidente. Os protestos levam Saakashvili a decretar estado de emergência no país e antecipar as eleições presidenciais para janeiro de 2008. Em seguida, Saakashvi renuncia, dizendo que se candidatará. O presidente do Parlamento, Nino Burjanadze, assume interinamente a chefia de governo. Nas eleições de janeiro, Saakashvili é re-eleito. Parte da oposição acusa a pleito de fraudulento e organiza manifestações nas ruas de Tbilisi, que atraem milhares de pessoas pedindo recontagem de votos. O presidente Saakashvi decreta estado de emergência e acusa a Federação Russa de envolvimento nos distúrbios. Apesar dos protestos observadores internacionais relatam que o processo eleitoral foi idôneo. Em referendo realizado no mesmo mês, 77% da população apóia a adesão da Geórgia à Organização do Tratado do Atlântico Norte – OTAN.
A Ossétia do Sul e a Abkházia lutam pela independência desde os anos 1990. Com o agravamento da crise diplomática entre a Federação Russa e a Geórgia, a influência de Moscou sobre as províncias separatistas torna-se mais forte. A tensão se eleva em agosto de 2008, e os dois países entram em guerra. Ao final do confronto, os russos não só tomam o controle da Ossétia do Sul como ocupam a Abkházia, além de territórios da Geórgia em torno dessas duas regi¬ões. No dia 26, Medvedev assina decreto e reconhece a independência dos dois territórios. A medida gera indignação na comunidade internacional. Em outubro, o acordo mediado pela França, as tropas russas iniciam retirada das "zonas de segurança" em torno da Ossétia do Sul e Abkházia. Porém, cerca de 8 mil solda¬dos russos devem permanecer nas duas províncias separatistas.
II. ARMÊNIA
01. Aspectos Geográficos
A República da Armênia, com 29.743 km² de área, é a menor das ex-¬repúblicas soviéticas. É país da região do Cáucaso, no oeste asiático, limitado pela Turquia, Geórgia, Azerbaidjão e Irã. Ao sul, faz fronteira com a república autô¬noma de Nakhitchevan, que integra o território azeri. Repleto de montanhas, o relevo tem altitude média de 1,8 mil metros. A cadeia monta¬nhosa do Cáucaso estende-se por todo o território e atinge o ponto mais alto no monte Ararat. O ponto culminante é o monte Aragats Lerr, no oeste do país, que ultrapassa os 4 mil metros. Os rios costumam ser bem acidentados. O mais importante, no qual vários outros menores deságuam, é o Araks, que vem da Turquia e corre para o mar Cáspio. Na região leste fica o lago Sevan, de 1.410 km², o maior do país. A vegetação das zonas mais altas é tipicamente alpina; no sudeste e nordeste encontram-se florestas de faias e carvalhos. O clima é con¬tinental, variável de acordo com a altitude. As precipitações mais abun¬dantes ocorrem nas encostas das montanhas.
Predominantemente cristão, o país está cercado de vizinhos de maioria muçulmana, como Turquia, Irã e Azerbaidjão. Antes da indepen¬dência, já disputava com os azeris o controle de Nagorno-Karabakh, terri¬tório de maioria armênia. Mais de 90% da população, de 3 milhões de habitantes, pertence à etnia armênia. Curdos e rus-sos constituem as minorias mais importantes. Há, ainda, ucranianos, georgianos e gregos. Quanto à religião, a maioria é cristã (83,4%) a Igreja Ortodoxa detém a maior parcela de fieis (73,3%) e quase 15% declaram-se ateus ou sem religião. A língua oficial e mais falada é o armênio.
02. Aspectos Econômicos
O colapso do comunismo e o bloqueio do fornecimen¬to de gás e eletricidade imposto pelo Azerbaidjão agravam a crise econômica do país, baseada na agropecuária e na indústria de alimentos e bebidas. Nos últimos anos, o país fecha acordos de fornecimento de energia com Irã e Federação Russa e volta a crescer, mas metade da população vive abaixo da linha da pobreza.
A economia armênia é bem distribuída entre os setores primário, secundário e terciário: cada um representa entre 30% e 40% do PIB do país (US$ 6,4 bilhões). A agricultura produz cereais, batata, hortaliças e uva. Criam-se ovinos, bovinos e aves. No lago Sevan se desenvolve uma importante atividade pesqueira. Os recursos minerais são escassos e a geração de energia é bastante dependente das usinas nucleares. A indústria se destaca na produção de máquinas, ferramentas, produtos químicos, medicamentos, borracha sintética, tecidos, alimentos e bebidas alcoólicas.
03. Aspectos Históricos
Por volta de 700 a.C., povos de língua indo-europeia invadem a região, onde então se localizava o Reino Uratu. Da fusão dos invasores com os habitan¬tes nativos surge o povo armênio. O território torna-se, no século VI a.C., província do Império Persa. No século I a.C., os armênios caem sob domínio dos romanos, que permitem ao país manter-se com reis próprios, subordi¬nados a Roma. Em 301, a Armênia é o primeiro país a adotar o cristianismo como religião oficial, pretexto para uma guerra que resulta na anexação da maior parte de seu território pela Pérsia, atual Irã. É, depois, disputada e repartida entre vários impérios: Árabe e Bizantino, Otomano e Persa, Russo e Otomano.
No século XIX, a parte oriental do território armênio passa ao Império Russo, enquanto o oeste permanece sob o domínio otomano. Até o fim da I Guerra Mundial, a população que se mantinha na área anexada ao Império Turco-Otomano é perseguida, sob a acusação de lealdade aos russos. Em 1915, os turcos massacram grande número de armênios e deportam so¬breviventes para a Síria e Mesopotâmia (atual Iraque). Calcula-se que, entre 1915 e 1922, os turcos tenham sido res¬ponsáveis pelo genocídio de 1,5 milhão de armênios.
Aproveitando-se da Revolução Russa, os armênios sob o domínio russo estabelecem, em 1918, uma república independente. O país é invadido pela Turquia. Para evitar outro massacre, os armênios aceitam a intervenção de tropas russas, que ex¬pulsam os turcos. Em 1920, a Armênia torna-se uma república soviética.
Foco de um conflito de difícil solução entre Armênia e Azerbaidjão, a região de Nagorno-Karabakh está encravada em território azeri, país de maioria muçul¬mana, mas quase 80% de sua população é armênia e cristã. Em 1921, Nagorno-Karabakh foi en¬tregue à Armênia por um conselho regional do Cáucaso. Porém, logo após o acerto, as duas nações foram incorpo¬radas pela União Soviética e Nagorno-Karabakh, cedida à república soviética do Azerbaidjão. O nacionalismo volta a ganhar força em 1985, com a abertura política promovida pelo líder soviético Mikhail Gorbatchov. Em 1988, os armênios pedem a anexa¬ção de Nagorno-Karabakh, cedido ao Azerbaidjão. O governo azeri se recusa a ceder o enclave. No mesmo ano, um terremoto de grandes proporções mata cerca de 25 mil pessoas no nor¬te do país. Depois de autoproclamar-¬se independente, em 1991, a região Nagorno-Karabakh é bombardeada pelo governo azeri até 1992, quando a Armênia conquista o enclave e extensa área ao redor, criando um corredor de ligação com seu pró¬prio território (Corredor de Latchine). Em 1994 é assinado um cessar-fogo e mesmo depois da proclamação de independência (2006) a questão ainda permanece instável.
O oposicionista Movimento Nacional Pan-Armênio vence as primeiras eleições livres no país, em 1990. A indepen¬dência é declarada em 1991 e a nação filia-se à Comunidade dos Estados Independentes (CEI). No mesmo ano, Nagorno-Karabakh autoproclama¬-se independente, o que desencadeia uma guer¬ra entre Azerbaidjão e Armênia. O conflito e o colapso soviético mergu¬lham o país em profun¬da crise. Em 1995, nova Constituição adota a economia de mercado. O primeiro-ministro Robert Kocharian - ex-presidente da autoproclamada República de Nagorno-Karabakh - ven¬ce o pleito presidencial em 1998.
Atualidade
Em 2003, há suspeita de fraude nas elei¬ções. Kocharian, sem partido, é reeleito. E 2006, a Federação Russa fecha acordo pra controlar o gasoduto da Armênia, em troca, o país receberá o gás russo a preços mais baixos.
Em 2007, o primeiro-ministro Markarian morre de infarto e é substituído por Serge Sarkissian. Em 2008, Sarkissian é eleito presidente, nas a oposição não reconhece o resul¬tado e cerca de 30 mil manifestantes tornam as ruas de Yerevan. O governo declara estado de emergência no país. Em setembro, Sarkissian e o presidente turco Abdullah Gul se reúnem para buscar uma solução para a tensão his¬tórica entre os dois países. A Turquia e nega a reconhecer como genocídio o massacre de mais de 1,5 milhão de armênios em 1915.
Em 2008 tropas voltam a se enfrentar na região de Nagorno-Karabakh, com os dois países acusando-se mutuamente de autoria do rompimento cessar fogo.
III. AZERBAIDJÃO
01. Aspectos Geográficos
A ex-república soviética do Azerbaidjão é um país de 86.600 km² de área, da região do Cáucaso, no oeste da Ásia e extremo leste da Europa, banhado pelo mar Cáspio. O território nacional inclui a república autônoma de Nakhitchevan, situada entre a Armênia e o Irã. No sudo¬este do país fica a região autônoma de Nagorno-Karabakh, habitada majoritariamente por armênios e reclamada pelo país vizinho.
O relevo é caracterizado por altas cordilheiras e vales estreitos. Na fronteira norte fica o Grande Cáucaso, que abriga o monte Bazardüzü Dag (4.480 metros), altitude máxima do país. Na fronteira sudeste fica o setor mais alto do sistema do Pequeno Cáucaso, com elevações de até 3,5 mil metros. A região central do país é formada pelos vales dos rios Araks e Kura, ao longo dos quais foram criados canais de irrigação. Flo¬restas de pinheiros crescem nas encostas das montanhas. O clima é temperado continental. Na região de Länkäran, porém, uma área baixa aos pés do Pequeno Cáucaso, o ambiente assume condições subtropicais.
A população, de 8,5 milhões de habitantes, é na sua grande maioria da etnia azeri (83%). Há minorias de curdos, tártaros, georgianos e ucranianos. A religião dos azeris - e, por¬tanto, predominante - é o islamismo xiita (87%). A língua oficial é o azerbaidjano, de origem turca. Fala-se também russo. República com forma mista de governo, sua capital é a cidade de Baku. A moeda oficial é manat azerbaidjano.
02. Aspectos Econômicos
Devastado pela guerra e pelo colapso do regime planificado soviético, a nação apresenta forte queda no Produto Interno Bruto (PIB de 19,9 bilhões) na primeira metade da década de 1990. Nos últimos anos, o Azerbaidjão volta a investir em exploração de petróleo e gás natural no mar Cáspio, retomando o crescimento.
As riquezas mais importantes do Azerbaidjão são as reservas de petróleo e gás natural da região do mar Cáspio, que já fizeram do país o maior centro petrolífero do mundo, no início do século XX. A produção agrícola se concentra nas planícies centrais, onde são cultivados principalmente cereais, algodão, tabaco e uva. Na região de Länkäran são produzidas frutas e chá. A pecuária, praticada nas encostas das montanhas, dedica-se sobretudo à criação de ovinos e bovinos.
03. Aspectos Históricos
No século VII, com a invasão dos árabes, as várias tribos existentes no local são unificadas sob o islamismo. A partir do século XI, turcos seljúcidas chegam à região. Durante os séculos XVI e XVII, o território é objeto de disputa entre o Império Persa e o Turco-Otomano. No século XIX, é cobi¬çado pela Rússia Depois de duas guerras, é dividido: o sul fica com a Pérsia (hoje Irã) e o norte é incorporado à Rússia.
Em 1920, os comunistas rus¬sos invadem o Azerbaidjão, que é depois incorporado à União Soviética (URSS). As aspirações à independência afloram com a abertura política no governo soviético de Mikhail Gorbatchov, em meados dos anos 1980. Nessa época, a questão do enclave de Nagorno-Karabakh domina o debate político nacional. A oposicionista Frente Popular do Azerbaidjão (AXC) organiza grandes manifestações para exigir que Moscou garanta a soberania do Azerbaidjão sobre o enclave. O país conquista a indepen¬dência em 1991, em meio ao conflito com a vizinha Armênia pela posse do território de Nagorno-Karabakh, e enfrenta dificuldade para assentar cerca de meio milhão de refugiados internos.
Em menos de um século, o Azerbaidjão mudou três vezes de alfabeto. Os azeris usaram o alfabeto árabe durante quase 1,3 mil anos. Em 1929, os soviéticos passam a realfabetizar a população com os caracteres latinos, procurando, assim, diminuir a força do islamismo. Em 1939 trocam para o alfabeto cirílico, utilizado na escrita do russo. Com o fim do domínio soviético e a independência, o Parlamento azeri aprova, em 1991, a volta para o latino. A decisão é um passo para a aproximação com a União Europeia. A modificação vinha sendo feita de forma gradual, mas um decreto editado em 2001 deu dois meses de prazo para que tudo no país fosse escrito no alfabeto latino. Jornais locais boicotam a medida.
04. Atualidade
Em 2001, a exploração de petróleo e gás natural leva ao fim da recessão. As ricas reservas petrolíferas do mar Cáspio ficam mais acessíveis ao Ocidente com o oleoduto de Baku-Tbilisi-Ceyhan, inaugurado em 2005 e operações iniciadas em 2006. Construído por um consórcio internacional a um custo estimado em 4 bilhões de dólares, o oleoduto de 1.760 km, sai de Baku, a capital do Azerbaidjão, à beira do mar Cáspio, passa por Tbilisi, na Geórgia, e chega ao mar Mediterrâneo pelo porto de Ceyhan, na Turquia. O projeto foi cercado de controvérsias durante seus mais de dez anos de planejamento. O trajeto escolhido é favorável aos Estados Unidos, pois passa ao lado da base aérea norte-americana de Incilik, na Turquia, e consolida a influência do país sobre a Geórgia e o Azerbaidjão. A Federação Russa critica a rota.
As elei¬ções de 2005, vencidas ampla¬mente pelo partido governista - YAP, são marcadas por denúncias de fraude e manifestações da oposição. Irregularidades levam à anulação do resultado e a novas eleições. O pleito ocorre em maio de 2006, com o boicote dos principais partidos de oposição.
Em 2006, o governo troca a moeda nacional pelo novo manat. No mesmo ano o presidente Aliev visita os Estados Unidos e, no ano seguinte, analistas russos, norte-americanos e azeris se reúnem para discutir a possibilidade do uso conjunto da antiga estação antimísseis soviética, Gabalá, no Azerbaidjão.
Em 2008, tropas azeris e armênias se enfrentam em Nagomo-Karabakh. Os dois países se acu¬sam mutuamente de ter iniciado o conflito. É a primeira vez que usam artilharia pesada na região. Em outubro, Alíev é re-eleito, com 89% dos votos, em pleito boicotado pelos principais partidos da oposição.
IV. CAZAQUISTÃO
01. Aspectos Geográficos:
Ex-república so¬viética, a República do Cazaquistão é um país da Ásia Central cujo território é caracterizado por uma extensa superfície plana limitada por cordilheiras a leste e a sudeste. Essas monta¬nhas são ramificações dos montes Altai e Tian Shan e suas altitudes variam entre 4 mil e cerca 7 mil metros. O centro e o oeste do país são ocupados por planaltos de estepe praticamente desabita¬dos. Na costa do mar Cáspio se encontra a depressão de Karagie, situa¬da 132 metros abaixo do nível do mar. Entre os principais rios destacam-se o Ural, que corre para o mar Cáspio, e o Irtys, que segue em direção ao oceano Ártico. Vários outros cursos menores deságuam no mar de Aral e nos lagos Zajsan e Balkhash. A vegetação do país é muito pobre: restringe-se, basicamente, à estepe e a áreas de arbustos. O clima é continental extremo, com grandes dife¬renças térmicas entre as estações.
Com 2.724.900 km² de área, está entre os dez maiores países em extensão territorial e tem uma das menores densidades demográ¬ficas do mundo. A população, de 15,5 milhões de habitantes, concentra-se no norte e no sul, onde ficam as terras mais férteis e as cidades industrializadas. A etnia predominante é a dos cazaques, que representa 43% ¬da população. Em segundo lugar estão os russos, com 36%. O restante é composto de ucranianos, alemães, uzbeques e tártaros. O cazaque de origem turca, é a língua oficial - embora o russo seja a majoritária. O islamismo é a principal religião com 49,8% da população, seguida pelo cristianismo com 14,1% de praticantes. Sua capital é Astana.
02. Aspectos Econômicos
A agricultura, prejudicada pelo clima e pela escassez de água, produz principalmente cereais e algodão. Nos pastos, os rebanhos mais numerosos são os de ovinos e bovinos.
O Cazaquistão possui grandes reservas de recursos minerais, entre os quais se destacam petróleo, gás natural, carvão, ferro, cromo, chumbo, tungstênio, cobre, carvão e zinco. Essas riquezas alimentam os principais ramos da indústria (petroquímico, metalúrgico e siderúrgico), que responde por quase 40% do PIB do país, que é de US$ 81 bilhões.
Graças ao petróleo, o Cazaquistão vive ciclo de prosperidade econômica, impulsionado por investimentos em prospecção e pela alta dos preços no mercado internacional. Com reservas estimadas que oscilam entre 6 bilhões e 9 bilhões de barris.
A jazida de Kashagan, no mar Cáspio, é descoberta em 2000 e tem po¬tencial estimado em cerca de 13 bilhões de barris de petróleo.
A exploração dos recursos do mar Cáspio esbarra em alguns obstáculos, como a definição dos direitos sobre as reservas da região, disputadas pelo Cazaquistão e por países vizinhos, e o escoamento do gás e do petróleo. A Turquia, com o apoio norte-americano, a Federação Russa e o Irã propõem diferentes traçados de oleodutos e gasodutos.
03. Aspectos Históricos
Os cazaques, ou cavaleiros das este¬pes, descendem de tribos nômades de origem turca e religião islâmica que, no século XVII, pedem proteção ao czar russo diante da ameaça de invasão mon¬gol. O Império Russo retira o poder dos chefes tribais e domina gradualmente o Cazaquistão. Com a abolição da servidão pelo Império, em 1861, milhões de cam¬poneses russos e ucranianos instalam-se em terras cazaques doadas pelo governo central, o que provoca ressentimento entre os nativos. O Exército czarista reprime uma rebelião contra o poder russo em 1916, o que provoca a morte de 150 mil pessoas.
Após a Revolução Russa, em 1917, nacionalistas cazaques declaram a autonomia da região. A aliança fracassa, e o Cazaquistão torna-se, em 1920, uma república soviética com o nome de Turquestão. Em 1936 se transforma em república autônoma dentro da URSS. Nos anos 1930 e 1940, o país recebe intensa onda migratória de russos, tártaros e bielo-russos, muitos deportados pelo governo de Josef Stalin. Os cazaques só voltam a ser mais numerosos na década de 1990. Sob o domínio soviético, um terço da população morre de fome por causa da coletivização forçada da terra e do assentamento dos povos nômades. Nursultan Nazarbayev, presi¬dente do Soviete Supremo, torna-se presidente do Cazaquistão em 1990.
Depois da desintegração da União Soviética (URSS), em 1991, o país é a última das ex-repúblicas soviéticas a proclamar a independência, grande número de russos deixa o país, que recebe 100 mil cazaques vindos de outras repúblicas. Em troca de ajuda financeira norte-americana, o governo desmonta seu arsenal nuclear, her-dado da ex-URSS. Os foguetes do programa espacial russo continuam a ser lançados da base de Baikonur. A economia vive crescimento acelerado, graças a investimentos externos e à exploração de petróleo e gás natural O país enfrenta, no entanto, altas taxas de pobreza e de desemprego.
Nazarbayev é re-eleito em 1991 e adota política de abertura ao capital estrangeiro. Em 1995, ele dissolve o Parlamento e vence referendo que estende seu mandato até 1999, quando é novamente re-eleito. A capital é mu-dada, em 1997, de Almaty para Aqmola (atual Astana).
04. Atualidade
Em 2005, Nazarbayev é reeleito com 91% dos votos. O candidato derrotado, Zharmakhan Tuyakbayev, acusa o governo de ter cometido irregularidades durante o pleito, fato confirmado por observadores internacionais.
Em 2007, líderes da Comunidade Econômica Euroasiática (Eurasec) determinam as bases legais de uma união comercial que reunirá Cazaquistão, Belarus, Rússia, Quirguistão, Tadjiquistão e Uzbequistão.
Ainda em 2007, o Cazaquistão é escolhido para assumir a presidência da Organização para Segurança e Cooperação na Europa (OSCE). O país será a primeira ex-repú¬blica soviética a tomar o posto, em 2010. Alguns grupos criticam a decisão por entender que o Cazaquistão desrespeita os direitos humanos.
As estepes e os lagos da região de Saryark, no norte do país, são escolhi¬dos como uma das oito novas maravilhas naturais da lista de patrimônios da huma¬nidade da Unesco, em 2008.
COMPILAÇÃO FEITA A PARTIR DE:
- Almanaque Abril 2008, 35ª ed. São Paulo: Ed. Abril, 2009.
- Atlas National Geografic, livro 08: Ásia II. São Paulo: Ed. Abril, 2008.
- AQUINO, JACQUES, DENIZE, OSCAR. História das Sociedades: das sociedades modernas às sociedades atuais, 32ª Ed.Rio de Janeiro: Ao Livro Técnico, 1995.
- VESENTINI & VLACH. Geografia Crítica, vol 4. São Paulo: Ática, 2005.
- http//www.wikipedia.org
- http//br.geocities.com/ccv3a/cei.htm