
Fortaleza completa hoje 286 anos de sua elevação à condição de vila, ocorrida em 1726. É a data que marca o aniversário da cidade e nos permite um momento de reflexão mais aprofundado sobre como ela nasceu, cresceu e sobre o que desejamos para seu futuro.
Para além das divergências históricas, a cidade nasceu marcada pela pobreza, com problemas relacionados ao clima e ao solo e, em especial, com a falta de interesse comercial de Portugal. Mesmo depois de se tornar vila, Fortaleza não passava de um aglomerado sem sustentação econômica e sem expressão política.
Apenas com a separação da capitania do “Siará” de Pernambuco (1799), atrelado ao desenvolvimento do comércio exportador algodoeiro, Fortaleza começou a criar condições econômicas para se tornar, na metade do século XIX, o principal núcleo urbano do Ceará. Só em 1823, foi alçada à cidade.
Apesar dos esforços dos engenheiros Silva Paulet e Adolfo Herbster, que desenharam os primeiros planos urbanísticos para a cidade, houve, desde o início da colonização, um crescimento desordenado, marcado pela falta de planejamento urbano.
A chamada Belle Époque, onde os ideais e ícones da cultura francesa foram espalhados por Fortaleza, tratou de acentuar também as desigualdades sociais. Essa situação foi ainda mais agravada com a seca de 1877/1879, fazendo com que milhares de sertanejos migrassem para a capital.
No início do século XX, ampliam-se os sinais de progresso, com a chegada de pequenas e médias fábricas, dos primeiros automóveis e da utilização de luz e bondes elétricos. Mas aumentam também os problemas, como o processo de favelização da nossa cidade, em razão do aumento do êxodo rural, do próprio aumento populacional e da inércia de alguns administradores.
Portanto, alguns problemas hoje enfrentados datam de períodos mais remotos do que muitos imaginam. Exigem e continuarão exigindo dos gestores públicos um esforço hercúleo. Muito se fez na atual gestão, mas ainda há grandes desafios a serem enfrentados: a melhoria do trânsito e da mobilidade urbana, melhoria dos indicadores sociais, sobretudo relacionados à saúde e educação, e redução do déficit habitacional são três dos quais considero essenciais.
Essas questões só serão efetivamente solucionadas com ações de planejamento a curto, médio e longo prazos. Planejar o futuro é condição fundamental para que Fortaleza não seja apenas a terra do sol que atrai turistas, mas uma cidade organizada e com mais igualdade social para sua gente.
Artur Bruno
Professor e deputado federal (PT)
O Povo – 13/04/2012
http://www.opovo.com.br/app/opovo/opiniao/2012/04/13/noticiasjornalopiniao,2819976/a-cidade-e-seus-de-286-anos.shtml#.T4gGP18K2Ac.twitter
PERFIL
Artur Bruno é professor e deputado federal pelo PT-CE. Atualmente é primeiro vice-presidente da Comissão de Educação da Câmara dos Deputados. Já foi deputado estadual por quatro mandatos consecutivos e vereador de Fortaleza por outros dois. É casado com Natercia Rios e pai de Marina e Mayara.
Site oficial: www.arturbruno.com.br
ARQUIVO