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Atualidades
24-06-2002
Os Ataques terroristas nos Estados Unidos

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Em 11 de setembro de 2001, em "Lower Manhattan", mais especificamente, no "Financial District" - região de Nova York onde estavam localizadas as torres gêmeas do World Trade Center, dois aviões comerciais, seqüestrados, se chocaram com os prédios mais altos do WTC entre 8h30 e 9h30 (horário de Nova York).

Minutos após os choques, as torres desabaram. Em Washington, capital dos EUA, outro avião comercial seqüestrado foi jogado sobre o Pentágono, causando mais mortes e destruição. Como não bastasse, naquela mesma manhã de terça-feira, um Boeing da United Airlines caiu em Johnston, perto de Pittsburgh, Estado da Pensilvânia, a 400 km da capital. O avião, que também teria sido seqüestrado com fins terroristas, foi derrubado antes de atingir seu alvo. Estima-se que mais de cinco mil pessoas tenham morrido em conseqüência dos ataques. Os dias que se seguiram aos atos terroristas de 11 de setembro foram de comoção e revolta.

Em meio a um cenário de destruição, cidadãos choraram e rezaram pelas vítimas. Wall Street e todo o mercado financeiro ficaram conturbados, e os olhos do mundo se voltaram para os suspeitos pelos atentados. Há indícios de que os atentados tenham sido planejados por um grupo de extremistas de religião muçulmana (chamados de fundamentalistas islâmicos), sob a liderança do milionário saudita Osama bin Laden. Suspeita-se também que bin Laden esteja no Afeganistão, sob a proteção do movimento Taleban. Os ataques estão sendo considerados como os atos terroristas mais importantes da história recente, porque atingiram a maior potência mundial e principalmente porque contam com a cobertura de todos os meios de comunicação de massa. As cenas que chocaram o mundo foram repudiadas pelos principais governantes, de diversas nações do mundo, principalmente por envolver a morte de milhares de civis. O povo norte-americano, de fato, nunca tinha visto o mal tão perto, pelo menos nessas proporções, neste último século. As grandes tragédias ocorreram fora do território norte-americano.

Os EUA participaram das duas grandes guerras mundiais, porém em nenhuma delas houve bombardeio no país. A população dos EUA viu as grandes guerras pela imprensa, ao contrário dos diversos povos europeus e asiáticos. Quando participou efetivamente de uma outra guerra, no Vietnã, parte da população foi ganhando consciência do que ocorria e passou a se manifestar, contribuindo para a retirada dos exércitos norte-americanos da região.

Terrorismo de Estado


Um dos grandes exemplos da história foi a Inquisição, praticada pela Igreja Católica na Idade Média e início da Idade Moderna. A maioria da população cristã da Europa sempre considerou justa e necessária a perseguição "às bruxas". O terror foi utilizado entre 1793 e 94 por Robespierre, líder da Revolução Francesa, como forma de preservar o poder e as conquistas populares e foi defendido por grande parcela da sociedade; foi praticado por Hitler e pelos nazistas contra os judeus, principalmente durante a Segunda Guerra Mundial, com o extermínio em massa de prisioneiros em campos de concentração.

O terrorismo de Estado apareceu também com a idéia de limpeza étnica, posta em prática pelo ditador sérvio Milosevic, contra os habitantes da região do Kosovo. O terror foi (e ainda é) utilizado pelos EUA, destacando-se principalmente o bombardeio de Hiroxima e Nagasaki no Japão, quando de uma Segunda Guerra Mundial praticamente já acabada, para mostrar ao mundo e a URSS, o poderio do "império americano", não hesitaram em matar milhares de civis; ou ainda quando armam grupos guerrilheiros, como aconteceu no Irã, na Nicarágua ou mesmo no Paquistão e Afeganistão. A partir de dezembro de 1979, o Paquistão tornou-se um aliado privilegiado dos EUA, pois o ditador Zia Ul Haq acolheu entre 3 e 5 milhões de refugiados afeganes depois da invasão soviética ao Afeganistão. Foi através do ditador paquistanês que os EUA passaram a dar ajuda financeira e militar à resistência no Afeganistão - a guerrilha mudjahidin - contra a ocupação soviética.

É interessante lembrar que Zia Ul Haq tomou o poder em 1978 após um golpe militar, eliminou a frágil democracia no país e instaurou a Sharia - código islâmico que prevê o açoitamento, a amputação e o apedrejamento até a morte para os criminosos. Uma de suas primeiras vitimas foi o presidente "democrata" que ele havia deposto, enforcado em 1979. O Preconceito Preconceito é o conceito formado antecipadamente sem o conhecimento dos fatos. O preconceito é uma herança cultural por isso é impossível não ter preconceito algum.

O etnocentrismo, é o pensamento que leva as sociedades a acharem que sua cultura é a única válida e por conseguinte desprezar e, de forma mais radical, eliminar outras culturas. Em 17 de julho de 1996, quando um avião da TWA caiu na costa de Nova York provocando a morte das 230 pessoas, as primeiras suspeitas recaíram sobre "algum árabe radical". A idéia de atentado vingou só até ser comprovada a falha elétrica que causou a explosão do tanque de combustível. O pior ataque terrorista sofrido pelos EUA até então havia sido a bomba colocada em frente a um prédio público em Oklahoma, em 1995, que provocou a morte de 168 pessoas. Novamente a idéia de terrorismo "árabe" foi propagada e, é interessante como a própria imprensa dos EUA apresentou a frustração do povo, quando foi preso o autor, um cidadão norte-americano, Timothy McVeigh, que foi condenado à pena de morte pelo crime e executado.

O crescimento do Islã


Apesar de o Islã ter surgido na península arábica, e de ter na língua árabe - a língua do Alcorão - o fator de unidade, atualmente os árabes representam uma minoria nesse universo, menos de 18% do total. O próprio uso da palavra "árabe" expressa um preconceito, pois coloca sob o mesmo denominador, africanos, curdos, persas, turcos. Desconhecemos suas origens, suas culturas, suas tradições, as particularidades específicas de cada povo. Contrariamente ao que se pode pensar, o Islã reconhece, entende e aceita a existência dos diferentes povos. Em um de seus versículos, o Alcorão, o livro sagrado do muçulmano, diz que os homens foram criados em nações para que se conhecessem e se compreendessem e não para que fossem inimigos.

Em seu "Sermão da Despedida", o profeta Mohammad, cujo exemplo é seguido pelos muçulmanos, disse que um árabe não é superior a um não árabe, nem um não árabe é superior a um árabe; o branco não é superior ao negro, nem o negro tem qualquer superioridade sobre o branco, exceto quanto à temência a Deus.

Quanto à mídia, ela limita a nossa forma de compreender o mundo aos padrões convencionados como "civilizados". Salienta o que é estranho à cultura ocidental e esconde o que efetivamente acontece naquelas regiões. Enfatiza as proibições, as restrições impostas às mulheres, enfim, o aspecto exterior da questão, sem estabelecer uma relação de causa e efeito dos acontecimentos, sem definir o que são costumes e tradições e o que é verdadeiramente islâmico. Sob essa ótica, para o ocidente, tudo é esquisito no Islã, e do ponto de vista da aparência externa, não há muita diferença do Afeganistão para a Arábia Saudita ou a Jordânia, muito embora Arábia Saudita e Jordânia se alinhem política e ideologicamente com o ocidente. As transformações no oriente e no ocidente influenciam um e outro profundamente. De um lado, temos os muçulmanos querendo recuperar-se dos efeitos perversos do colonialismo e sua sociedade exigindo mudanças sociais e políticas, mas qualquer mudança põe em perigo a correlação de forças atual. Do outro lado, as grandes potências se opõem a iniciativas que ponham em cheque sua hegemonia política, e os países dependentes, temendo perder uma soberania recém conquistada, vêem com desconfiança qualquer tentativa por parte de quem, até bem pouco tempo, era o opressor.

O Afeganistão e o Taleban


Como se não bastasse, os EUA acusaram o rico empresário saudita Osama Bin Laden de estar envolvido nos atos de terrorismo contra as suas embaixadas no Quênia e na Tanzânia. Quando o regime do Taleban se recusou a entregar bin Laden aos Estados Unidos, a ONU, em represália, impôs pesadas sanções ao Afeganistão, cujos ônus, como sempre, recaem sobre a população indistintamente, homens, mulheres, crianças. Quando o Taleban usa a retórica ideológica para privar a mulher muçulmana do acesso à educação básica, a mídia ocidental condena, e com razão.

Afinal, há 14 séculos o Islã assegurou direitos sociais e econômicos que objetivaram garantir igualdade entre homens e mulheres, inclusive o acesso igual à educação, o direito de expressão, de propriedade, de voto. Mas, não tem razão quando define as restrições impostas à mulher afegã como parte da doutrina islâmica. O Islã não é a prática que dele fazem alguns muçulmanos.

A crítica ao Taleban, assim, transforma-se num pretexto para condenar os legítimos movimentos islâmicos em geral, e mostrar ao ocidente que o Islã é incompatível com as modernas exigências sociais e políticas e que nada poderia ser pior do que uma sociedade fundada nos princípios islâmicos. Na verdade, grupos como o Taleban, em nada diferem de tantos outros espalhados pelo mundo, na medida em que são o resultado das condições incertas do mundo moderno. Movimentos semelhantes podem ser encontrados em outros países e entre as muitas religiões do mundo e não imaginamos que eles possam ameaçar a hegemonia das grandes potências. Os cristãos americanos que bombardeiam clínicas de aborto, hindus que atacaram a mesquita de Babri, e que estão de olho nas inúmeras mesquitas espalhadas pela Índia, judeus ultra-ortodoxos que atiram pedras em mulheres que andam pelas ruas vestindo calças ou mangas curtas, enfim, todos são a expressão contemporânea da intolerância e, nesse sentido, têm mais em comum com o Taleban do que eles (ou o Taleban) percebem, e muito menos a ver com o Islã, como somos levados a supor.

Todos esses movimentos, apesar de suas diferenças externas, são uma reação às dramáticas mudanças sociais, políticas e econômicas que vêm ocorrendo nos últimos 150 anos. As transformações são rápidas, adquiriram uma dinâmica própria e estão além do controle das pessoas comuns. Os muçulmanos em geral acalentam o sonho do estado islâmico, mas percebem que esse sonho vai ficando cada vez mais distante, diante do avanço inexorável de uma civilização global secular agressiva e teconologicamente mais avançada. Em seu movimento de reação, esses grupos acabam por enfatizar o lado material, porque mais fácil de ser controlado e de ser imposto ás pessoas. Na verdade, a violência do Taleban contra os que desrespeitam as regras não deixa de ser a implementação da moderna visão de que a interferência do estado na vida das pessoas é a resposta para a maior parte dos problemas sociais.

Quem é Osama Bin Laden?


Apesar de os Estados Unidos, com seus bilhões de dólares, terem ajudado as milícias em seu triunfo, Bin Laden logo se transformou no benfeitor delas. Quando as tropas americanas chegaram em 1990 em sua sagrada terra natal, a Arábia Saudita, para combater Saddam Hussein, Bin Laden considerou a presença infiel delas uma profanação do local de nascimento do Profeta Maomé. A riqueza da família veio do Grupo Bin Laden saudita, construído pelo pai de Mohamed, que teve a boa sorte de se tornar amigo do fundador do país, Abdel Aziz al Saud.

Tal relacionamento levou-o a importantes contratos com o governo, como as reformas dos templos em Meca e Medina, os locais mais sagrados do Islã, projetos que tocaram profundamente o jovem Osama. Atualmente a empresa, que possui 35 mil funcionários em todo o mundo, vale US$ 5 bilhões. Osama recebeu sua parte aos 13 anos quando seu pai morreu, uma fortuna de US$ 250 milhões.

Quando Saddam Hussein invadiu o Kuwait em 1990 e ameaçou a Arábia Saudita, Bin Laden informou à família real que ele e seus árabes afegãos estavam preparados para defender o reino. A oferta foi rejeitada. Ao invés disso, os sauditas convidaram pela primeira vez as tropas americanas. Como muitos outros muçulmanos, Bin Laden ficou ofendido pela presença do Exército, com seus soldados cristãos e judeus, seu rock, suas mulheres que dirigiam e vestiam calças.

A Arábia Saudita desfruta de uma posição singular entre os países islâmicos por ser o berço do Islã e país que abriga Meca e Medina, que são proibidas para não-muçulmanos. Quando Bin Laden começou a escrever seus tratados contra o regime saudita, o rei Fahd o confinou e Bin Laden fugiu do país, se refugiando no Sudão. Os sauditas, incomodados com o crescente extremismo de Bin Laden, revogaram sua cidadania. A família dele também o renunciou. As autoridades americanas suspeitam que ele teve um papel financeiro no atentado à bomba de 1993 ao World Trade Center, de autoria de um grupo de radicais egípcios. Esse pode ter sido o primeiro ataque de Bin Laden contra a entidade que ele acredita ser a fonte dos seus problemas e os de seu povo.

Naquele mesmo ano, acreditam as autoridades americanas, Bin Laden tentou comprar uma arma nuclear no mercado negro russo. As autoridades americanas acreditam que quando a tentativa fracassou, ele tentou partir para a guerra química, talvez chegando até mesmo a testar um dispositivo. Na época, em 1995, um atentado com caminhão-bomba contra uma base militar em Riad matou cinco americanos e dois indianos. Ligando Bin Laden ao ataque, os Estados Unidos, juntamente com os sauditas, pressionaram os sudaneses a expulsá-lo do país, o que de fato foi feito. Oficiais de inteligência americanos acreditam que os campos de Bin Laden treinaram dezenas de milhares de combatentes.

As autoridades americanas acreditam que o grupo de Bin Laden controla ou influencia entre 3 e 5 mil guerrilheiros ou terroristas em todo o mundo. Em 1996 ele divulgou uma "Declaração de Jihad". Suas metas declaradas eram derrubar o regime saudita e expulsar as forças americanas. Bin Laden também se manifestou contra Israel, que ele, como muitos muçulmanos, consideram uma presença estranha e agressiva em uma terra que pertence ao Islã. Posteriormente, ele elogiou o atual levante contra a ocupação israelense nos territórios palestinos.

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